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Participação indígena ainda está longe, dizem povos tradicionais

Mas, liderança brasileira avalia que houve avanços na COP8

Eduardo Nunes / 17horas e 25minutos

             (Pinhais, PR, 31/03/2006) – O sistema de grupo de contato, adotado para adiantar as negociações, não considerou a participação de representantes do Fórum Internacional Indígena sobre Biodiversidade (FIIB)  na discussão sobre uma maior participação de indígenas nas próximas  negociações da ONU sobre o uso dos conhecimentos tradicionais. Foi o que  afirmaram na manhã de hoje cinco representantes do FIIB, durante evento  paralelo da 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade  Biológica (COP8).

           A proposta que será apresentada hoje à noite ao Grupo de Trabalho 2 partiu de países latino-americanos e caribenhos e prevê uma maior presença indígena nas delegações e apoio dos países de origem. “Vamos tomar conhecimento hoje à noite sobre a proposta que o Grupo de Contato vai apresentar. Ainda não vimos nada”, revelou Viviana Figueroa, do povo Umaguaca, da Argentina.

           De acordo com Olga Timofava-Toreshina, da comunidade Dolgan, da Rússia, os
povos indígenas desejam “participar efetivamente dos esboços, recomendações  e decisões nos processos da Convenção. Especialmente, com relação ao uso dos  conhecimentos tradicionais, às áreas protegidas e à biodiversidade  florestal.”

            O brasileiro Anísio Guate, do povo Candeiros, no Pantanal, destacou que “há 14 anos os países discutem o uso dos conhecimentos tradicionais. Mas até hoje nossos conhecimentos permanecem desprotegidos da biopirataria”, alertou.

             “Hoje, queremos afirmar para todo o mundo que não avançamos nesta COP. Viemos defender nossos direitos mas não conquistamos espaço algum”, considerou Donna House, do povo Dine Navajo, dos Estados Unidos.

             Para o coordenador do Comitê Inter Tribal, Marcos Terena, este espaço será conquistado ainda que leve mais algum tempo, ou algumas conferências. “Romper este sistema de preconceito e desconsideração não é um trabalho que começa e termina numa COP. É um processo longo e creio que avançamos bastante. Ainda alcançaremos nosso objetivo principal que é fazer com que o índio não seja apenas um detentor do conhecimento tradicional ou fonte de banco de dados, mas sócio de um novo mecanismo de qualidade de vida”, disse.

Serviço
Confira fotos da MOP3 e da COP8 em ftp://ftp.imk.com.br/cop8
Leia a cobertura diária dos dois eventos em www.cdb.gov.br
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