A oportunidade perdida
Greenpeace avalia que COP deixou de dar solução final para temas como acesso a recursos genético e repartição de áreas protegidas
Adir Nasser Junior / 15horas e 30 minutos
(Pinhais, PR, 31/03/2006) A organização ambientalista Greenpeace avalia a 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP8), que se encerra hoje em Pinhais (PR), foi um “fracasso”. A entidade criticou o adiamento da criação de um regime de acesso a recursos genéticos e repartição de benefícios (ABS, na sigla em inglês) considerou um retrocesso o “convite” a países-partes à criação de uma rede internacional de áreas protegidas, sendo que na COP7, em Kuala Lumpur (Malásia), havia consenso sobre a obrigatoriedade deste tema.
A falta de avanço, segundo a organização, comprometeria seriamente o atingimento das metas de 2010 definidas pela própria convenção, segundo Martin Kaiser, assessor internacional para florestas da entidade. A ong considerou que, ao adiar decisões importantes quanto ao ABS, que só deve ter soluções na COP9, a convenção permitiu que a atividade biopirata tivesse mais tempo para atuar. “Ganhou-se tempo para que a indústria farmacêutica, especialmente dos Estados Unidos, etiquetasse e colocasse a biodiversidade em código de barras”, afimou Paulo Adário, coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace.
Houve estagnação também nos temas do mar, segundo a ong. A discussão sobre o papel da conferência em identificação de reservas marinhas em alto-mar não avançou, da mesma forma que a proposta de proibição da pesca de arrasto em águas oceânicas, que foi bloqueada por países pesqueiros. Ele lastimou ainda a retirada de referência no corpo dos documentos aos temas de repressão ao uso de madeira ilegal – no qual o Brasil e demais países da Bacia Amazônica tiveram atuação.
Segundo Kaiser, os únicos progressos efetivos ocorridos na COP8 foram a entrada em discussão das Tecnologias de Restrição do Uso Genético (Gurts, ou terminator, OGMs de geração de sementes estéreis) e a preparação, para discussão em 2008, do tema do plantio de árvores geneticamente modificadas – que eram demandas urgentes de ambientalistas e movimentos sociais.
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